domingo, 20 de maio de 2007

Unaniminíssona.

Encontre o que há em comum entre:

a) A mídia uníssona, realmente uníssona, na voz contrária do estudo (em inglês) que indica que todo esse auê que o pessoal faz do Chavez na verdade é apenas vitimado, pois ele só faz teatrinho, porque nos últimos meses EUA e Venezuela criaram mais laços econômicos que de costume.

b) O Lula, que está cada vez com menos inimigos, pois de presente em presente, o companheiro enche o saco, garante um Feliz Natal pra todos os aliados políticos, e vai construindo um coro uníssono, realmente uníssono.
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Resposta: a liberdade de escolha, mas sem opções.

Jornãolismo.

Lá na Venezuela, o Hugo Chavez não renovou a permissão para a rede televisiva RCTV continuar com suas operações.

À primeira vista, parece um crime contra a liberdade de imprensa, de ideologias etc. Pelo menos foi o que afirmou a Globo, que é uma espécie de RCTV de lá (com dois terços de sua programação dedicada a mostrar a não-realidade da maioria de seus telespectadores, e o outro terço para a propaganda, que custeia a rede e o consumo).

No Jornal Nacional e na Veja, o demônio é que tinha proibido a RCTV de operar. Só que os jornãolistas não disseram que a atitude do presidente venezuelano está prevista na lei, tanto de lá quanto, imagine só, de cá, nas terras entregues a deus do Brasil.

A lei diz que, se for provado que o veículo de comunicação participa/participou de alguma movimentação golpista — e a contribuição é impensável por minha mente inocente —, então ele perderá o direito à concessão. No caso, a própria RCTV assumiu a tentativa de golpe, há três anos atrás. Logo, não tem nada de anormal dessa atitude "ditatorial".

Ditatorial é a postura da mídia. "Deditorial".

Bom, eu li isso aqui.


Atualizado em 22 de maio: leiam isso aqui, sobre o que é censura neste país.

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Escola a mais, desestrutura a menos.

Esse Gilberto Dimenstein escreve muitas vezes sobre a educação no Brasil, e com a maioria eu concordo com a opinião.

Nesta aqui fala de algo que parece óbvio, mas para a política talvez não seja: uma pesquisa cruzou dados e indica que a taxa de criminalidade e gravidez precoce diminui quanto mais o jovem passar seu tempo na escola.

Na minha modesta e realista opinião (no dicionário: realista é pessimista?), quem governa não quer a população pensando, então a educação do colonizado nunca chegará a patrão.



PS: li logo em seguida esta outra coluna, sobre uma proposta interessante para elevar os índices de escolaridade das comunidades mais carentes: chamar os universitários.
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terça-feira, 8 de maio de 2007

Virada Loka

Teve pancadaria, mas não seja cabecinha de achar que foi só isso.

O fato é que a mídia novamente se fez carniceira e mostrou da Virada Cultural apenas o lado que dá audiência: a tragédia.

Porque, fosse cultura, tem uma TV, que pouco se vê, com esse nome.

Enquanto isso, as outras mídias em seus principais jornais só mostraram o lado irracional.

Não passei na Sé. Mas sim pelo Anhangabaú todo âmbar e dança, Praça Ramos Woodstock e brisada, Teatro Municipal imponente aplauso, Barão de Itapetininga com seus roqueiros alucinados, Praça da República que não será mais linda que nesse fim de semana, etc. E por mais que rodasse pelas ruas lotadas não vi nenhum ato de violência ou tumulto sequer. Nem reclamações. Ao contrário, havia muita solidariedade.

São Paulo à madrugada e sem carros é linda e o clima paz-cultura-e-amor dos milhares com quem cruzei deixava a noite ainda mais especial. Famílias inteiras foram ver circo, teatro, balé, música etc. Claro que há quem limite a cultura a apenas o show de rap ou rock, mas até aí, não atrapalhando os outros, tudo bem.

Teve uma meia dúzia que atrapalhou. A polícia, que não culpo muito menos defendo, agiu com base na potencialidade do ato, e deu no que deu. "Virada Cultural vira palco de guerra."

No seu cu!

Porque ficou ali, na Sé, e ponto.

Jornalismo maldito.

A Sé pode ser o marco zero, mas não zerem um evento de 3,5 milhões de sorrisos a 3,5 mil lamentos. Enquanto eu esperava um amigo meu, perto do Teatro Municipal, logo ao meu lado aconteceu uma intervenção circense, e um repórter da Globo estava ali. Filmou por uns vinte minutos, entrevistando os palhaços de perna de pau, tendo que regravar para ficar melhor, etc.

Mas, se alguém viu na TV essa reportagem, me avise. Porque minha antena só captou pancadaria.

Um amigo disse que, estando com a namorada, prefere não arriscar-se-la na Virada. Outros que não foram, não perguntaram o que eu curti: diretos ao 'se eu não tinha me ferido'.

Haja limitação! Mais uma prova de como nós podemos ser facilmente manipulados por caras alheias se não botarmos a nossa pra bater. Pôxa, até minha mãe, sempre medrosa, estava lá!

Repito: a Virada cultural foi maravilhosa. O jornalismo que é irresponsável. Mais que os baderneiros ou os pitbulls de farda.

Tinha que ter uma Virada por mês. E se tiver um "bis" neste próximo fim de semana (como pretende a prefeitura, conforme essa notícia), farei de tudo pra ir.

Confira algumas opiniões no blog da Cacilda e em No Mínimo.

Minha opinião final:


A poesia que é mana
da cabeça ligada
tem a ver com Virada,
sim

Mas a pinga que emana
Da cabeça lesada
Da garrafa virada,
não.

E, por fim, um dado objetivo: os Racionais MC's atrasaram. Tem que cortar no programa, sem dó, porque é meu dinheiro investido. Muito bem investido.

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domingo, 6 de maio de 2007

O retorno de uma foice

Recentemente publiquei aqui, sob título "Mascarada dos camaradas", um trecho do livro 1984. Já falei muito, e não me canso de fazer apologias à grandeza e atualidade da obra — ressaltando sempre que a imagem da política pode muito bem ser substituída pela do Grande Irmão empregatício, consumisteiro etc.: o mercado e suas tendências sócio-político-econômicas.

Mas hoje, é analogia política mesmo.

Deu na Rússia uma revolta recente. No Observatório da Imprensa diz-se que a polícia foi conter os rebelados à base da ignorâcia. A TV russa mostrou que a polícia só se defendeu...

Quem não foi à luta, vai se informar por quem? Por quem contou. E quem contou foi a mão invisível do Putão. Vão esperar os presos políticos firarem caducos e serem ouvidos como uma história de uma repressão de proporções abafadas? Provável que sim.


É pra ter medo? Então, um pouco de nostalgia: o foice e o martelo de volta à cena, na mesma Rússia.

Só falta agora ter uma Juventude anti-sexo.

Quem não tiver saco pra ler 1984, recomendo esta análise: o que é o Grande Irmão, e tudo sobre a obra de Orwell. Pelo menos não vão boiar nas analogias que eu freqüentemente faço.

E viva la revolución.
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