quinta-feira, 12 de julho de 2007

O produto que fabrico, funciona porque eu fabrico

Se o produto é aplicado na pele, funciona porque entra diretamente em contato, e a massagem estimula a circulação, e...

Se o produto é ingerido, funciona porque vem de dentro pra fora, ou seja, não é só superficial, portanto dura mais tempo, e é mais consistente, e...

Com tais premissas é possível vender um catálogo inteiro de cosméticos, vitamínicos, contra-issos etc.

As provas dos benefícios dos milhares de cosméticos, aplicados ou "engulíveis", são baseadas em dois pilares:

a) é milagroso porque se baseia só na crença (por parte de quem consome) de que ninguém brincaria com uma coisa séria dessas — imagine!, dizer que faz bem só pra vender mais?

b) e se é "concreto", há pesquisas que comprovam a eficácia — pesquisas estas realizadas por encomenda de quem fabrica.

Não nos resta dúvidas de que o cosmético funciona. Inclusive, o lançamento funciona ainda mais que o outro, porque...

(escolha entre a ou b).

Curiosamente, a notícia desses recém-lançados-no-mercado cosméticos orais, que excedem em benefícios e carecem de pesquisas, saiu na seção "Equilíbrio" da Folha, e muitos de nós sabemos que essa obsessão pelo consumo de beleza fast-food é a mais alta prova de desequilíbrio da sociedade cosmopolita do tudo-ao-mesmo-tempo-agora.

É a propaganda e a indústria, incentivando o espelhamento em vidas impossíveis, que fomenta a busca pela felicidade paga, que gera dependência, que gera meta, que gera correria, que gera frustração, que gera estresse, que gera busca fácil de felicidade, e a roda gigante permanece viva.
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